SOU DO TEMPO...
Há momentos na vida que a nostalgia bate à porta. Foi o que aconteceu numa das noites no Boteco, entre uma dose e outra de cachaça. Lembranças e mais lembranças de tempos idos, dos acontecimentos que marcaram época, das passagens da vida, boas e ruins, importantes ou não, algumas sem sentido. Elas não vieram muito bem organizadas em ordem cronológica, mas, mais ou menos próximo disso.
Sou do tempo...
- que o telefone era de manivela, a telefonista atendia, você dizia o número que queria, ela chamava e ouvia toda a conversa;
- que uma ligação telefônica para o Rio de Janeiro, por exemplo, poderia durar um ou dois dias;
- da Rádio Nacional do Rio e do programa do Cezar de Alencar;
- do programa humorístico da Rádio Nacional “Balança, mas não cai”, do Primo Pobre e do Primo Rico;
- da radionovela “Jerônimo, o Herói do Sertão” transmitida pelo rádio Nacional;
- das Rainhas do Rádio Emilinha Borba e Marlene, de Adelaide Chiozzo e seu acordeon;
- do Francisco Alves e a comoção pela morte dele em acidente de carro;
- do Gregório Barros e Sílvio Caldas;
- de “Conceição” do Cauby Peixoto, “se subiu, ninguém sabe, ninguém viu”;
- da Revista do Rádio e Revista dos Esportes;
- da Atlântida e suas chanchadas com Oscarito, Grande Otelo, Eliane e Cyl Farney;
- de José Lewgoy, o eterno vilão dos filmes da Atlântida;
- do filme “O Ébrio” com Vicente Celestino;
- de quando Dercy Gonçalves era uma jovem de 40 anos;
- de Ary Barroso e sua gaitinha do tipo sorveteiro, irradiando jogos de futebol e torcendo pelo Flamengo;
- do Repórter Esso e do Heron Domingues dando as notícias;
- da musiquinha do Repórter Esso;
- da revista O Cruzeiro e as piadas do Amigo da Onça, do. Pif-Paf do Emmanuel Vão Gôgo e do Carlos Estevão;
- das revistas Manchete e Fatos & Fotos;
- do lançamento das revistas Realidade e Veja;
- do lançamento da televisão;
- da TV em branco e preto;
- do início da transmissão da TV colorida;
- do suicídio de Getúlio Vargas;
- de JK e a fundação de Brasília;
- da renúncia do Jânio Quadros;
- da Revolução Cubana, de Che Guevara e Fidel Castro;
- da época mais negra da história do Brasil com a Ditadura Militar;
- dos presidentes da ditadura: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.
- da Arena e MDB;
- da anistia aos exilados políticos;
- da derrubada de Allende e ascensão de Pinochet;
- de 1968;
- do PSD, UDN, PSP, PTB;
- do acidente de carro que matou JK;
- do Roy Rogers e Durango Kid;
- dos filmes de “farveste”;
- do Chevrolet 46, do Ford 51 e do Belair conversível 57;
- da bola de capotão e chuteira de bico duro;
- dos bailes com orquestras;
- dos bailes com terno e gravata;
- que o coração ficava acelerado quando íamos tirar as meninas para dançar;
- que dançar de rosto colado era o máximo;
- que apertar a menina enquanto dançava era o maior tesão;
- que a namorada guardava lugar no cinema para a gente e quando a luz apagava a gente ia sentar ao lado;
- que pegar na mão da namorada no cinema fazia o coração saltar pela boca e dava um tesão danado;
- que o Brasil perdeu o campeonato mundial para o Uruguai no Maracanã;
- do primeiro campeonato mundial do Brasil na Suécia, acompanhado pelo rádio;
- do segundo campeonato mundial do Brasil no Chile, acompanhado pelo rádio e filme de algumas jogadas na televisão;
- do terceiro campeonato mundial do Brasil no México e a primeira transmissão direta e a cores pela TV;
- do Garrincha, Pelé, Nilton Santos, Didi, Zito, Vavá, Gilmar, Zózimo, Djalma Santos.
- do satélite artificial;
- do Sputnik;
- da cadela russa Laica mandada para o espaço;
- do Yuri Gagarin vendo a Terra do espaço;
- da transmissão pela TV, ao vivo, do Neil Armstrong pisando pela primeira vez na Lua;
- da Marta Rocha perdendo o título de Miss Universo por apenas 2 polegadas na coxa;
- dos Três Patetas e do Gordo e o Magro;
- da radiola e da vitrola;
- do disco 78 rpm;
- do long-play;
- do Cinemascope;
- do Primo Carbonari;
- do Bill Haley e seus Cometas;
- do Elvis Presley;
- da Brenda Lee;
- da Rita Pavone;
- do Neil Sedaka;
- do lançamento da bossa-nova;
- do twist;
- do Agostinho dos Santos;
- do samba-canção;
- do bolero;
- das festinhas nas casas ao som de rock, twist, bolero, samba-canção;
- das serenatas;
- do Canal 100;
- do grupo escolar, ginásio, científico ou clássico;
- das aulas de Latim e Canto Orfeônico no ginásio;
- do Grapete;
- do lançamento do Chicabom;
- da brilhantina Glostora no cabelo;
- do Gumex no cabelo;
- do topete estilo Elvis Presley no cabelo;
- da pasta de dentes Kolynos;
- dos sabonetes Lever e Gessy;
- da zona;
- que havia putas na zona
- da luz vermelha na casa da zona;
- do Caryl Chesmann que foi executado na câmara de gás;
- do Bandido da Luz Vermelha;
- do assassinato do Keneddy;
Há momentos na vida que a nostalgia bate à porta. Foi o que aconteceu numa das noites no Boteco, entre uma dose e outra de cachaça. Lembranças e mais lembranças de tempos idos, dos acontecimentos que marcaram época, das passagens da vida, boas e ruins, importantes ou não, algumas sem sentido. Elas não vieram muito bem organizadas em ordem cronológica, mas, mais ou menos próximo disso.
Sou do tempo...
- que o telefone era de manivela, a telefonista atendia, você dizia o número que queria, ela chamava e ouvia toda a conversa;
- que uma ligação telefônica para o Rio de Janeiro, por exemplo, poderia durar um ou dois dias;
- da Rádio Nacional do Rio e do programa do Cezar de Alencar;
- do programa humorístico da Rádio Nacional “Balança, mas não cai”, do Primo Pobre e do Primo Rico;
- da radionovela “Jerônimo, o Herói do Sertão” transmitida pelo rádio Nacional;
- das Rainhas do Rádio Emilinha Borba e Marlene, de Adelaide Chiozzo e seu acordeon;
- do Francisco Alves e a comoção pela morte dele em acidente de carro;
- do Gregório Barros e Sílvio Caldas;
- de “Conceição” do Cauby Peixoto, “se subiu, ninguém sabe, ninguém viu”;
- da Revista do Rádio e Revista dos Esportes;
- da Atlântida e suas chanchadas com Oscarito, Grande Otelo, Eliane e Cyl Farney;
- de José Lewgoy, o eterno vilão dos filmes da Atlântida;
- do filme “O Ébrio” com Vicente Celestino;
- de quando Dercy Gonçalves era uma jovem de 40 anos;
- de Ary Barroso e sua gaitinha do tipo sorveteiro, irradiando jogos de futebol e torcendo pelo Flamengo;
- do Repórter Esso e do Heron Domingues dando as notícias;
- da musiquinha do Repórter Esso;
- da revista O Cruzeiro e as piadas do Amigo da Onça, do. Pif-Paf do Emmanuel Vão Gôgo e do Carlos Estevão;
- das revistas Manchete e Fatos & Fotos;
- do lançamento das revistas Realidade e Veja;
- do lançamento da televisão;
- da TV em branco e preto;
- do início da transmissão da TV colorida;
- do suicídio de Getúlio Vargas;
- de JK e a fundação de Brasília;
- da renúncia do Jânio Quadros;
- da Revolução Cubana, de Che Guevara e Fidel Castro;
- da época mais negra da história do Brasil com a Ditadura Militar;
- dos presidentes da ditadura: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.
- da Arena e MDB;
- da anistia aos exilados políticos;
- da derrubada de Allende e ascensão de Pinochet;
- de 1968;
- do PSD, UDN, PSP, PTB;
- do acidente de carro que matou JK;
- do Roy Rogers e Durango Kid;
- dos filmes de “farveste”;
- do Chevrolet 46, do Ford 51 e do Belair conversível 57;
- da bola de capotão e chuteira de bico duro;
- dos bailes com orquestras;
- dos bailes com terno e gravata;
- que o coração ficava acelerado quando íamos tirar as meninas para dançar;
- que dançar de rosto colado era o máximo;
- que apertar a menina enquanto dançava era o maior tesão;
- que a namorada guardava lugar no cinema para a gente e quando a luz apagava a gente ia sentar ao lado;
- que pegar na mão da namorada no cinema fazia o coração saltar pela boca e dava um tesão danado;
- que o Brasil perdeu o campeonato mundial para o Uruguai no Maracanã;
- do primeiro campeonato mundial do Brasil na Suécia, acompanhado pelo rádio;
- do segundo campeonato mundial do Brasil no Chile, acompanhado pelo rádio e filme de algumas jogadas na televisão;
- do terceiro campeonato mundial do Brasil no México e a primeira transmissão direta e a cores pela TV;
- do Garrincha, Pelé, Nilton Santos, Didi, Zito, Vavá, Gilmar, Zózimo, Djalma Santos.
- do satélite artificial;
- do Sputnik;
- da cadela russa Laica mandada para o espaço;
- do Yuri Gagarin vendo a Terra do espaço;
- da transmissão pela TV, ao vivo, do Neil Armstrong pisando pela primeira vez na Lua;
- da Marta Rocha perdendo o título de Miss Universo por apenas 2 polegadas na coxa;
- dos Três Patetas e do Gordo e o Magro;
- da radiola e da vitrola;
- do disco 78 rpm;
- do long-play;
- do Cinemascope;
- do Primo Carbonari;
- do Bill Haley e seus Cometas;
- do Elvis Presley;
- da Brenda Lee;
- da Rita Pavone;
- do Neil Sedaka;
- do lançamento da bossa-nova;
- do twist;
- do Agostinho dos Santos;
- do samba-canção;
- do bolero;
- das festinhas nas casas ao som de rock, twist, bolero, samba-canção;
- das serenatas;
- do Canal 100;
- do grupo escolar, ginásio, científico ou clássico;
- das aulas de Latim e Canto Orfeônico no ginásio;
- do Grapete;
- do lançamento do Chicabom;
- da brilhantina Glostora no cabelo;
- do Gumex no cabelo;
- do topete estilo Elvis Presley no cabelo;
- da pasta de dentes Kolynos;
- dos sabonetes Lever e Gessy;
- da zona;
- que havia putas na zona
- da luz vermelha na casa da zona;
- do Caryl Chesmann que foi executado na câmara de gás;
- do Bandido da Luz Vermelha;
- do assassinato do Keneddy;
- do assassinato de Lee Oswald, suposto assassino do Kenedy, por um gangster chamado Rudy, transmitido ao vivo pela TV;
- das estátuas de santos nas igrejas cobertas com um pano roxo durante toda a Quaresma;
- de não poder falar na Sexta-Feira Santa, principalmente às três horas da tarde;
- de não comer carne nas sextas-feiras durante a Quaresma;
- em que tudo ou quase tudo era pecado;
- da revolução sexual dos anos 60 e como fiquei perdido com a mudança repentina;
- da Leila Diniz;
- dos Beatles;
- da Odete Lara e Norma Benguel fazendo filmes considerados pornográficos;
- das revistas pornográficas desenhadas pelo Carlos Zéfiro;
- que era muito bom ler as revistas pornográficas desenhadas pelo Carlos Zéfiro;
- da Carmem Miranda;
- dos Festivais da Música Brasileira da TV Record;
- do Fino da Bossa e da Elis Regina e Jair Rodrigues;
- das Pílulas da Vida Dr. Ross, “pequeninas, mas resolvem”;
- dos corsos no Carnaval, com lança-perfume, serpentina e confete;
- dos bailes de Carnaval à fantasia nos clubes;
- dos desfiles e concursos de fantasias do Hotel Glória;
- da música “Mamãe eu quero”;
- dos cigarros sem filtro Urca, Elmo, Mistura Fina, Continental;
- que os dias pareciam ter 30 horas, as semanas demoravam pra passar, os meses não terminavam nunca, e o ano levava uma eternidade pra acabar.
É bom parar por aqui. A saudade bate forte, o tempo não volta mais e a vida precisa continuar.
Benjamin
- de não poder falar na Sexta-Feira Santa, principalmente às três horas da tarde;
- de não comer carne nas sextas-feiras durante a Quaresma;
- em que tudo ou quase tudo era pecado;
- da revolução sexual dos anos 60 e como fiquei perdido com a mudança repentina;
- da Leila Diniz;
- dos Beatles;
- da Odete Lara e Norma Benguel fazendo filmes considerados pornográficos;
- das revistas pornográficas desenhadas pelo Carlos Zéfiro;
- que era muito bom ler as revistas pornográficas desenhadas pelo Carlos Zéfiro;
- da Carmem Miranda;
- dos Festivais da Música Brasileira da TV Record;
- do Fino da Bossa e da Elis Regina e Jair Rodrigues;
- das Pílulas da Vida Dr. Ross, “pequeninas, mas resolvem”;
- dos corsos no Carnaval, com lança-perfume, serpentina e confete;
- dos bailes de Carnaval à fantasia nos clubes;
- dos desfiles e concursos de fantasias do Hotel Glória;
- da música “Mamãe eu quero”;
- dos cigarros sem filtro Urca, Elmo, Mistura Fina, Continental;
- que os dias pareciam ter 30 horas, as semanas demoravam pra passar, os meses não terminavam nunca, e o ano levava uma eternidade pra acabar.
É bom parar por aqui. A saudade bate forte, o tempo não volta mais e a vida precisa continuar.
Benjamin
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