sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

ANTÔNIO

Antônio é um rapaz de classe alta da zona sul carioca, universitário, inteligente, bom papo, simpático, bonito, conquistador. Vai com bastante freqüência à Lapa e, sempre passa no Boteco para conversarmos.

Gosto muito de conversar com ele. Conversamos sobre tudo: política, mulheres, futebol, sobre o curso de veterinária que está terminando, sobre o futuro, literatura, música.

Mas, Antônio é um dos milhares de sua classe social que financiam o tráfico de drogas no Rio, juntamente com aqueles de menor poder aquisitivo que precisam roubar para ajudar no financiamento.

Antônio é um consumidor de maconha e cocaína. Daqueles que dizem que não é viciado e que a droga é apenas um derivativo para aliviar o estresse. Que pode largar no momento em que quiser. Ouço há anos ele contar a mesma história.

E quando eu digo que ele financia o tráfico, acabamos sempre discutindo duro. Ele sempre diz que o problema não é dele e, sim, do Estado que tem a obrigação de acabar com o tráfico. E eu sempre digo que o problema é de todos e que enquanto tiver consumidor que financie o traficante, o Estado, sozinho, fica impotente.

Ele sempre fica bravo comigo quando toco nesse assunto.
Benjamin

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