quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O BOTECO


O BOTECO

Na melhor localização da Lapa, em frente aos Arcos, está o Boteco. É o meu local preferido e onde tenho a “minha” mesa, como freqüentador assíduo, colocada em um lugar estratégico do botequim.
Como sempre faço todos os dias ao anoitecer, vou ao Boteco, meu botequim preferido na Lapa, o bairro mais boêmio do Rio. É lá que eu aprendo um pouco da vida, ouvindo histórias contadas desde os mais humildes até os mais abastados. Cada um vivendo a seu modo, com seu problema, ou sem problema, fazendo o que lhe foi destinado na vida. Alguns vivendo “como Deus quer”, como dizem, embora, seja difícil acreditar que Deus, se existe, queira que vivam assim. Mas, vamos deixar isso de lado, pois teríamos que entrar numa discussão teólogo-filosófica que, certamente, não irá levar a lugar nenhum. Além do que, não tenho conhecimento teológico ou filosófico para discutir assunto tão relevante.

Por lá passa, todas as noites, a mais variada “fauna”: boêmios inveterados com seus violões, bêbados, gente de “bem”, prostitutas, travestis, proxenetas, traficantes, jogadores de futebol, universitários, profissionais liberais, funcionários públicos, músicos, políticos, desocupados de todas as “profissões”, moradores de rua etc, etc.

Enquanto observo o movimento, vou bebericando minha cachacinha, comendo meu torresminho, tomando uma cerveja, ou mesmo, apenas uma água. O que importa é estar lá e encontrar os amigos de sempre, como o Eulídio, proprietário do Boteco; Antenor, o garçom mais antigo; Otília, ex-prostituta e, atualmente, cafetina das mais respeitadas; Altair, ex-marinheiro e “marido” da Otília com quem dirige os negócios; Antônio, moço rico de Ipanema; Joana, residente em Copacabana, filha de um alto funcionário de uma multinacional; Povunido, eterno marxista; Gerúndio, funcionário de uma empresa de TV paga; Alemão, engraxate que sabe de tudo o que acontece na Lapa e que reside no Complexo do Alemão; Político, metido a político e eterno candidato que nunca conseguiu eleger-se pra nada; e, os muitos Anônimos, conhecidos de quem a gente nunca lembra o nome.

Lá, na “minha” mesa, ouço histórias de todo tipo. Muitas com final feliz, outras nem tanto. Algumas muito estranhas.

Quando for ao Rio apareça no Boteco pra gente bater um papo. Fica em frente ao sexto pilar que sustenta os Arcos. A “minha” mesa você reconhece facilmente. Se eu não estiver lá, deixe um recado com o Eulídio ou o Antenor que eu te encontro.

2 comentários:

Gabi Oliveira disse...

Isso ainda vai acabar em romance (e não em um conto).

Anônimo disse...

Quem me dera! Se acabar emconto já é uma grande coisa.