“Paixões e Desencontros”
ou
“A Triste História de Bêbado que Amava Equilibrista que Amava Burner que Amava Sá Marina que Amava Bêbado”.
Esta é a história de Bêbado e Equilibrista e Burner e Sá Marina, dois casais que viviam em mundos diferentes, que se amavam, mas que, por força de desencontros tiveram suas vidas mudadas e feridas.
Bêbado e Equilibrista viviam na Lapa, tradicional reduto boêmio do Rio de Janeiro. Conheceram-se há muitos anos, lá mesmo, numa noite quente de sábado, com o tradicional samba carioca animando os freqüentadores.
Bêbado – o nome já diz tudo – era um freqüentador assíduo do mundo boêmio da Lapa, exímio violonista e cantor. Encantava a todos que o ouviam interpretar os mais bonitos sambas e sambas-canções.
Equilibrista, cujo nome recebeu do tempo em que atuava como equilibrista de um circo russo, era assídua freqüentadora da Lapa e fã incondicional de Bêbado, por quem se apaixonou.
Burner e Sá Marina moravam num fantástico apartamento de cobertura na Vieira Souto, em Ipanema. Burner era presidente de uma multinacional americana, com sede no Rio, e estava no Brasil há cerca de dez anos. Conheceu Sá Marina, típica Garota de Ipanema em todos os sentidos, durante uma visita turística ao Corcovado. Apaixonaram-se e, dois anos após o primeiro encontro, casaram-se. Burner era muito reservado, ao contrário de Sá Marina, expansiva e que gostava de freqüentar locais boêmios, como a Lapa.
Bêbado e Equilibrista viveram felizes por muitos anos. Foram Anos Dourados de harmonia, felicidade, paixão, tesão, amor verdadeiro. Mas, como todo grande amor, este também estava sujeito a desencontros. E era o que estava acontecendo. Talvez movida por ciúmes, ou mesmo, por desencanto, a relação de Bêbado e Equilibrista não estava bem. Bêbado era um boêmio por natureza, sempre rodeado por admiradoras e Equilibrista já não estava mais suportando tanto assédio a ele, assim como, estava à procura de uma vida mais segura, o que Bêbado, certamente, não oferecia a ela. A convivência entre os dois estava se tornando difícil e Equilibrista precisava de um tempo, só, para refletir sobre suas vidas.
Burner e Sá Marina passavam pelo mesmo processo de desencontros, movidos, principalmente, pelo temperamento diferente deles. Burner era muito Carinhoso mas, somente isso não satisfazia Sá Marina. Ela gostava de viver intensamente, curtir as boas coisas que a vida oferecia. Gostava de freqüentar a Lapa, geralmente acompanhada de amigos, já que Burner não gostava de ir a esses locais, não por preconceito ou qualquer coisa desse tipo, mas, sim, simplesmente porque não curtia. E foi, numa de suas idas à Lapa que Sá Marina conheceu Bêbado e ficou enfeitiçada.
Equilibrista foi à Bahia a passeio, para tentar esquecer as desavenças com Bêbado quando, então, sua vida começou a mudar no momento em que, na Baixa do Sapateiro, encontrou Burner. Este foi à Bahia para curar a grande ressaca do amor perdido, já que o grande amor de sua vida Sá Marina, havia confessado que estava apaixonada por outro homem. Ao vê-lo, Equilibrista apaixonou-se imediatamente. Equilibrista era uma mulher muito bonita, corpo escultural, chamava a atenção por onde passava e Burner não deixou de notá-la. Para Burner, aquela era a ocasião ideal para curar sua ressaca de amor. Aproximaram-se, conversaram, jantaram a luz de velas no Asa Branca, restaurante famoso de Salvador e, de lá, foram direto ao Hotel Amazonas, ali mesmo, na Baixa do Sapateiro, onde viveram o grande momento da complementação do amor. Equilibrista, apaixonada, sussurrava em seu ouvido “I’ve got you under my skin”, “Fly me to the moon” e Burner, Carinhoso, retribuía o pedido. Passaram dias maravilhosos em Salvador, vivendo intensamente cada segundo de suas vidas. Mas, como tudo não passa de uma ilusão, Nada Além que uma ilusão, era hora de voltar à realidade. Era hora de retornarem ao Rio.
Sá Marina, por sua vez, continuava a freqüentar a Lapa e estava cada vez mais apaixonada por Bêbado. Este é claro, não deixou de notar o assédio de Sá Marina. Até que, numa daquelas noites maravilhosas em que a lua cheia iluminava os arcos da Lapa e os corações dos apaixonados, Bêbado e Sá Marina, descendo a Rua da Ladeira, entraram no St. Louis Blues, hotel de quinta categoria, onde passaram uma noite inesquecível.
Apesar da aventura vivida por eles, Bêbado e Equilibrista, assim como, Burner e Sá Marina, continuavam vivendo juntos. Bêbado continuava amando Equilibrista, e Burner, Sá Marina. Eram os grandes amores de suas vidas. Mas, essa convivência não duraria muito tempo. Os casais não se conheciam e não sabiam que suas vidas estavam entrelaçadas.
Sá Marina só pensava em Bêbado e não via a hora de revê-lo, mas evitava ir sozinha à Lapa. Num Saturday Night, como Burner costumava chamar os sábados de agitação no Rio de Janeiro, Sá Marina conseguiu convencer Burner a levá-la à Lapa. Mesmo à contra gosto, Burner concordou, pois queria reconquistá-la. Sá Marina ficou exultante, pois essa era a oportunidade de rever Bêbado.
Bêbado, como sempre, estava acompanhado de Equilibrista, rodeado de admiradores, dedilhando com nostalgia as cordas de seu violão, quando ambos viram Burner e Sá Marina aproximarem-se da mesa onde estavam. Nesse momento ouviam-se, apenas, as batidas aceleradas dos corações.
Não havia mais como disfarçar. Burner percebeu os olhares apaixonados de Sá Marina para Bêbado, assim como, Bêbado percebeu os de Equilibrista para Burner. Formou-se uma intensa atmosfera de ciúmes.
Já não suportando o ciúme que dilacerava seu coração, Burner perguntou, alterado, à Sá Marina “Who’s that creeping?”. Sá Marina, também alterada, respondeu “Don’t get around much anymore”, não suportando mais a presença de Burner que, alucinado, pensava “They can’t take that way from me”, “They can’t take that way from me”!
Equilibrista, vendo toda a cena de Burner e Sá Marina, foi ao encontro de sua grande paixão. Nesse momento, Bêbado percebeu que os Anos Dourados com Equilibrista haviam ficado na Baixa do Sapateiro.
Movido pelo ciúme, Bêbado sacou sua arma e apontou em direção a Burner. Equilibrista percebeu e gritou, desesperada, “Hay Burner”. Burner virou-se e Bêbado, à queima roupa, deu um Satin Doll em Burner que caiu ali mesmo, ensangüentado. Bêbado, assustado, deixou a arma cair. Equilibrista pegou a arma e, desesperada, atirou em Bêbado. Sá Marina gritou em desespero, avançou sobre Equilibrista, tomou a arma dela e matou-a. Num gesto extremo, vendo seu grande amor morto, Sá Marina apontou a arma para a própria cabeça e atirou.
Quatro corpos estendidos no chão, cobertos com folhas de jornal que anunciava uma tragédia, circundados por velas acesas. Mortos pela traição. Mortos pelo ciúme. Mortos pelo amor.
É! Se estivessem vivos e presentes, Lupicínio Rodrigues teria dito a Noel Rosa, numa típica Conversa de Botequim, “Esses Moços, pobres moços, ah! se soubessem o que eu sei...”
ou
“A Triste História de Bêbado que Amava Equilibrista que Amava Burner que Amava Sá Marina que Amava Bêbado”.
Esta é a história de Bêbado e Equilibrista e Burner e Sá Marina, dois casais que viviam em mundos diferentes, que se amavam, mas que, por força de desencontros tiveram suas vidas mudadas e feridas.
Bêbado e Equilibrista viviam na Lapa, tradicional reduto boêmio do Rio de Janeiro. Conheceram-se há muitos anos, lá mesmo, numa noite quente de sábado, com o tradicional samba carioca animando os freqüentadores.
Bêbado – o nome já diz tudo – era um freqüentador assíduo do mundo boêmio da Lapa, exímio violonista e cantor. Encantava a todos que o ouviam interpretar os mais bonitos sambas e sambas-canções.
Equilibrista, cujo nome recebeu do tempo em que atuava como equilibrista de um circo russo, era assídua freqüentadora da Lapa e fã incondicional de Bêbado, por quem se apaixonou.
Burner e Sá Marina moravam num fantástico apartamento de cobertura na Vieira Souto, em Ipanema. Burner era presidente de uma multinacional americana, com sede no Rio, e estava no Brasil há cerca de dez anos. Conheceu Sá Marina, típica Garota de Ipanema em todos os sentidos, durante uma visita turística ao Corcovado. Apaixonaram-se e, dois anos após o primeiro encontro, casaram-se. Burner era muito reservado, ao contrário de Sá Marina, expansiva e que gostava de freqüentar locais boêmios, como a Lapa.
Bêbado e Equilibrista viveram felizes por muitos anos. Foram Anos Dourados de harmonia, felicidade, paixão, tesão, amor verdadeiro. Mas, como todo grande amor, este também estava sujeito a desencontros. E era o que estava acontecendo. Talvez movida por ciúmes, ou mesmo, por desencanto, a relação de Bêbado e Equilibrista não estava bem. Bêbado era um boêmio por natureza, sempre rodeado por admiradoras e Equilibrista já não estava mais suportando tanto assédio a ele, assim como, estava à procura de uma vida mais segura, o que Bêbado, certamente, não oferecia a ela. A convivência entre os dois estava se tornando difícil e Equilibrista precisava de um tempo, só, para refletir sobre suas vidas.
Burner e Sá Marina passavam pelo mesmo processo de desencontros, movidos, principalmente, pelo temperamento diferente deles. Burner era muito Carinhoso mas, somente isso não satisfazia Sá Marina. Ela gostava de viver intensamente, curtir as boas coisas que a vida oferecia. Gostava de freqüentar a Lapa, geralmente acompanhada de amigos, já que Burner não gostava de ir a esses locais, não por preconceito ou qualquer coisa desse tipo, mas, sim, simplesmente porque não curtia. E foi, numa de suas idas à Lapa que Sá Marina conheceu Bêbado e ficou enfeitiçada.
Equilibrista foi à Bahia a passeio, para tentar esquecer as desavenças com Bêbado quando, então, sua vida começou a mudar no momento em que, na Baixa do Sapateiro, encontrou Burner. Este foi à Bahia para curar a grande ressaca do amor perdido, já que o grande amor de sua vida Sá Marina, havia confessado que estava apaixonada por outro homem. Ao vê-lo, Equilibrista apaixonou-se imediatamente. Equilibrista era uma mulher muito bonita, corpo escultural, chamava a atenção por onde passava e Burner não deixou de notá-la. Para Burner, aquela era a ocasião ideal para curar sua ressaca de amor. Aproximaram-se, conversaram, jantaram a luz de velas no Asa Branca, restaurante famoso de Salvador e, de lá, foram direto ao Hotel Amazonas, ali mesmo, na Baixa do Sapateiro, onde viveram o grande momento da complementação do amor. Equilibrista, apaixonada, sussurrava em seu ouvido “I’ve got you under my skin”, “Fly me to the moon” e Burner, Carinhoso, retribuía o pedido. Passaram dias maravilhosos em Salvador, vivendo intensamente cada segundo de suas vidas. Mas, como tudo não passa de uma ilusão, Nada Além que uma ilusão, era hora de voltar à realidade. Era hora de retornarem ao Rio.
Sá Marina, por sua vez, continuava a freqüentar a Lapa e estava cada vez mais apaixonada por Bêbado. Este é claro, não deixou de notar o assédio de Sá Marina. Até que, numa daquelas noites maravilhosas em que a lua cheia iluminava os arcos da Lapa e os corações dos apaixonados, Bêbado e Sá Marina, descendo a Rua da Ladeira, entraram no St. Louis Blues, hotel de quinta categoria, onde passaram uma noite inesquecível.
Apesar da aventura vivida por eles, Bêbado e Equilibrista, assim como, Burner e Sá Marina, continuavam vivendo juntos. Bêbado continuava amando Equilibrista, e Burner, Sá Marina. Eram os grandes amores de suas vidas. Mas, essa convivência não duraria muito tempo. Os casais não se conheciam e não sabiam que suas vidas estavam entrelaçadas.
Sá Marina só pensava em Bêbado e não via a hora de revê-lo, mas evitava ir sozinha à Lapa. Num Saturday Night, como Burner costumava chamar os sábados de agitação no Rio de Janeiro, Sá Marina conseguiu convencer Burner a levá-la à Lapa. Mesmo à contra gosto, Burner concordou, pois queria reconquistá-la. Sá Marina ficou exultante, pois essa era a oportunidade de rever Bêbado.
Bêbado, como sempre, estava acompanhado de Equilibrista, rodeado de admiradores, dedilhando com nostalgia as cordas de seu violão, quando ambos viram Burner e Sá Marina aproximarem-se da mesa onde estavam. Nesse momento ouviam-se, apenas, as batidas aceleradas dos corações.
Não havia mais como disfarçar. Burner percebeu os olhares apaixonados de Sá Marina para Bêbado, assim como, Bêbado percebeu os de Equilibrista para Burner. Formou-se uma intensa atmosfera de ciúmes.
Já não suportando o ciúme que dilacerava seu coração, Burner perguntou, alterado, à Sá Marina “Who’s that creeping?”. Sá Marina, também alterada, respondeu “Don’t get around much anymore”, não suportando mais a presença de Burner que, alucinado, pensava “They can’t take that way from me”, “They can’t take that way from me”!
Equilibrista, vendo toda a cena de Burner e Sá Marina, foi ao encontro de sua grande paixão. Nesse momento, Bêbado percebeu que os Anos Dourados com Equilibrista haviam ficado na Baixa do Sapateiro.
Movido pelo ciúme, Bêbado sacou sua arma e apontou em direção a Burner. Equilibrista percebeu e gritou, desesperada, “Hay Burner”. Burner virou-se e Bêbado, à queima roupa, deu um Satin Doll em Burner que caiu ali mesmo, ensangüentado. Bêbado, assustado, deixou a arma cair. Equilibrista pegou a arma e, desesperada, atirou em Bêbado. Sá Marina gritou em desespero, avançou sobre Equilibrista, tomou a arma dela e matou-a. Num gesto extremo, vendo seu grande amor morto, Sá Marina apontou a arma para a própria cabeça e atirou.
Quatro corpos estendidos no chão, cobertos com folhas de jornal que anunciava uma tragédia, circundados por velas acesas. Mortos pela traição. Mortos pelo ciúme. Mortos pelo amor.
É! Se estivessem vivos e presentes, Lupicínio Rodrigues teria dito a Noel Rosa, numa típica Conversa de Botequim, “Esses Moços, pobres moços, ah! se soubessem o que eu sei...”
Nenhum comentário:
Postar um comentário