Eulídio é o bom português dono do Boteco. Quase não conversa com ninguém, sempre atarefado atrás do balcão atendendo os fregueses. Mas, atrás desse mutismo, está uma pessoa extremamente comunicativa, por mais paradoxal que isso possa parecer. Basta olhar para os seus olhos, que “falam” por ele.
Às vezes, quando o movimento cai, principalmente ao final da noite, ele senta-se à minha mesa e, se não for para falar do Vasco, é sempre para recordar seus momentos de infância na sua cidadezinha em Portugal.
Eulídio está com 66 anos, sendo 50 de Brasil. Como todo imigrante, passou por dificuldades, mas, como a colônia portuguesa é muito grande e unida, principalmente no Rio, todos se ajudam. Logo ao chegar, conseguiu um emprego de faz-tudo num bar da Lapa, cujo proprietário era um patrício. Como tinha 16 anos, trabalhava só até às 8 da noite. Como todo bom português, tudo que ele ganhava, guardava. Só gastava uns trocadinhos para assistir aos jogos do Vasco aos domingos. Pois, foi com essas economias que, 10 anos depois ele conseguiu comprar o bar onde trabalhava e que hoje é o Boteco. Há 40 anos que Eulídio está atrás do balcão. E com a mesma simpatia de sempre.
Nessa segunda-feira, dia de pouco movimento, Eulídio, mais uma vez, falou-me de sua infância e da cidadezinha de onde veio.
Eulídio nasceu na freguesia de Freixo de Numão, pertencente ao Concelho de Vila Nova de Foz Côa, no extremo norte do Distrito da Guarda, Região de Trás-os-Montes e Alto- Douro. A sede do Concelho e maior município é Vila Nova de Foz Côa, e Freixo de Numão fica próximo de Vila Nova.
O Concelho de Vila Nova de Foz Côa pela grande densidade de amendoeiras em toda a sua área, reivindica, há muitos anos, o título de “Capital da Amendoeira”. É uma região muito bonita, principalmente quando começa a floração da amendoeira. Além dessa característica, o Concelho, como parte da cultura portuguesa, produz vinhos e azeites de qualidade.
Eulídio vai a Portugal todos os anos e não deixa, nunca, de visitar sua “querida terrinha” como ele fala. Freixo de Numão tem, hoje, uma população de 586 habitantes. É um povoado pequeno, como a grande maioria das freguesias de Portugal. E, por ser São Pedro o padroeiro do povoado, hoje transformado em vila, Eulídio é fervoroso devoto do santo.
Ele recorda, com água nos olhos, do seu tempo de criança, dos seus seis irmãos, quatro homens e duas mulheres. Ele era o quinto. Sua família, muito pobre, trabalhava com artefatos de madeira e latoaria, como a grande maioria da população. Colhiam amêndoas para os grandes produtores, que vendiam seus produtos em Vila Nova de Foz Côa no Largo do Tablado e na Feira de São Miguel, onde funcionava a “Bolsa da Amêndoa”. Gostava de ir lá com seu pai e seus quatro irmãos mais velhos para entregar as amêndoas.
Ele não se esquece da casa onde nasceu, na Rua das Lages, próxima da Capela Roqueira de Santa Bárbara, onde não só ele, mas toda a sua família foi batizada. E é com tristeza que, sempre que vai a Freixo, vê que, no lugar da sua casa, hoje tem um prediozinho todo colorido, junto com outros, que acabaram desfigurando uma das zonas mais bonitas do povoado.
Mas, nunca deixa de visitar o Pelourinho, a Casa Grande, a Casa da Justiça, a Casa do Lavrador Abastado, as Fontes da Rica e da Carvalha, o Tanque do Sapo, a Janela Manuelina, e outras riquezas do patrimônio arquitetônico.
Todos esses lugares trazem recordações que fazem dele uma criança. Como na primeira vez que levou a Manuela na Casa Grande e lá, escondidos atrás da casa, sentiram pela primeira vez, os prazeres de um abraço, de um beijo, da excitação. Descreve como foi o prazer de ter tocado pela primeira vez nos seios da Manuela e quanto ela gostou disso e retribuiu o prazer.
Eulídio é assim. Uma pessoa cheia de recordações, feliz com seu trabalho, feliz com a vida, com os filhos e netos, vascaíno roxo, um português orgulhoso de sua origem e feliz por ser brasileiro.
Ah, sim! E louco por uma mulata. E uma ginginha.
Às vezes, quando o movimento cai, principalmente ao final da noite, ele senta-se à minha mesa e, se não for para falar do Vasco, é sempre para recordar seus momentos de infância na sua cidadezinha em Portugal.
Eulídio está com 66 anos, sendo 50 de Brasil. Como todo imigrante, passou por dificuldades, mas, como a colônia portuguesa é muito grande e unida, principalmente no Rio, todos se ajudam. Logo ao chegar, conseguiu um emprego de faz-tudo num bar da Lapa, cujo proprietário era um patrício. Como tinha 16 anos, trabalhava só até às 8 da noite. Como todo bom português, tudo que ele ganhava, guardava. Só gastava uns trocadinhos para assistir aos jogos do Vasco aos domingos. Pois, foi com essas economias que, 10 anos depois ele conseguiu comprar o bar onde trabalhava e que hoje é o Boteco. Há 40 anos que Eulídio está atrás do balcão. E com a mesma simpatia de sempre.
Nessa segunda-feira, dia de pouco movimento, Eulídio, mais uma vez, falou-me de sua infância e da cidadezinha de onde veio.
Eulídio nasceu na freguesia de Freixo de Numão, pertencente ao Concelho de Vila Nova de Foz Côa, no extremo norte do Distrito da Guarda, Região de Trás-os-Montes e Alto- Douro. A sede do Concelho e maior município é Vila Nova de Foz Côa, e Freixo de Numão fica próximo de Vila Nova.
O Concelho de Vila Nova de Foz Côa pela grande densidade de amendoeiras em toda a sua área, reivindica, há muitos anos, o título de “Capital da Amendoeira”. É uma região muito bonita, principalmente quando começa a floração da amendoeira. Além dessa característica, o Concelho, como parte da cultura portuguesa, produz vinhos e azeites de qualidade.
Eulídio vai a Portugal todos os anos e não deixa, nunca, de visitar sua “querida terrinha” como ele fala. Freixo de Numão tem, hoje, uma população de 586 habitantes. É um povoado pequeno, como a grande maioria das freguesias de Portugal. E, por ser São Pedro o padroeiro do povoado, hoje transformado em vila, Eulídio é fervoroso devoto do santo.
Ele recorda, com água nos olhos, do seu tempo de criança, dos seus seis irmãos, quatro homens e duas mulheres. Ele era o quinto. Sua família, muito pobre, trabalhava com artefatos de madeira e latoaria, como a grande maioria da população. Colhiam amêndoas para os grandes produtores, que vendiam seus produtos em Vila Nova de Foz Côa no Largo do Tablado e na Feira de São Miguel, onde funcionava a “Bolsa da Amêndoa”. Gostava de ir lá com seu pai e seus quatro irmãos mais velhos para entregar as amêndoas.
Ele não se esquece da casa onde nasceu, na Rua das Lages, próxima da Capela Roqueira de Santa Bárbara, onde não só ele, mas toda a sua família foi batizada. E é com tristeza que, sempre que vai a Freixo, vê que, no lugar da sua casa, hoje tem um prediozinho todo colorido, junto com outros, que acabaram desfigurando uma das zonas mais bonitas do povoado.
Mas, nunca deixa de visitar o Pelourinho, a Casa Grande, a Casa da Justiça, a Casa do Lavrador Abastado, as Fontes da Rica e da Carvalha, o Tanque do Sapo, a Janela Manuelina, e outras riquezas do patrimônio arquitetônico.
Todos esses lugares trazem recordações que fazem dele uma criança. Como na primeira vez que levou a Manuela na Casa Grande e lá, escondidos atrás da casa, sentiram pela primeira vez, os prazeres de um abraço, de um beijo, da excitação. Descreve como foi o prazer de ter tocado pela primeira vez nos seios da Manuela e quanto ela gostou disso e retribuiu o prazer.
Eulídio é assim. Uma pessoa cheia de recordações, feliz com seu trabalho, feliz com a vida, com os filhos e netos, vascaíno roxo, um português orgulhoso de sua origem e feliz por ser brasileiro.
Ah, sim! E louco por uma mulata. E uma ginginha.
Benjamin